João Carlos Paes Mendonça: do varejo de supermercados ao império de shoppings no Brasil

Como a trajetória de João Carlos Paes Mendonça ajudou a moldar o varejo supermercadista e o mercado de shoppings no Brasil.
João Carlos Paes Mendonça do varejo de supermercados ao imperio de shoppings no Brasil
Imagem: João Carlos Paes Mendonça. Foto: Alexandre Gondim/ JC Imagem

João Carlos Paes Mendonça é um nome central na história do varejo brasileiro, especialmente no Nordeste. Ele iniciou sua trajetória em um pequeno comércio familiar e, ao longo das décadas, construiu um grupo empresarial de alcance nacional. Atualmente, seu legado ultrapassa o setor supermercadista e alcança o mercado imobiliário, de shoppings e de comunicação.

Desde cedo, sua formação esteve ligada ao contato direto com o consumidor. Por isso, suas decisões sempre partiram da realidade do chão de loja. Além disso, sua capacidade de adaptação foi determinante para atravessar diferentes ciclos econômicos.

Origem familiar e primeiros aprendizados no comércio

João Carlos Paes Mendonça nasceu em 1938, no interior de Sergipe. Ainda jovem, passou a ajudar o pai na mercearia da família. Nesse ambiente, aprendeu noções básicas de atendimento, controle de estoque e relacionamento com clientes.

Com o passar do tempo, sua participação no negócio aumentou. Assim, aos 21 anos, tornou-se sócio do pai. Pouco depois, tomou uma decisão estratégica que mudaria sua trajetória profissional.

Ao se mudar para Recife, em 1966, ele buscava expandir o modelo de negócio familiar. Dessa forma, surgiu o primeiro supermercado Bompreço, em um momento em que o autosserviço ainda era pouco difundido na região.

A construção do Bompreço como referência regional

Desde o início, o Bompreço adotou práticas diferenciadas para o varejo da época. Em primeiro lugar, investiu em padronização de lojas e processos. Além disso, apostou em tecnologia e serviços que ainda eram raros no Brasil.

Ao longo dos anos, a rede introduziu programas de fidelidade, sistemas de automação e soluções financeiras próprias. Com isso, ganhou escala e eficiência operacional. Consequentemente, tornou-se uma das redes mais reconhecidas do Nordeste.

Enquanto muitos concorrentes mantinham estruturas tradicionais, o Bompreço avançava em inovação. Por esse motivo, a marca consolidou uma base fiel de consumidores e fortaleceu sua posição regional.

Expansão, consolidação e venda da rede

À medida que o Bompreço crescia, sua presença se expandia para diversos estados nordestinos. Nesse cenário, a empresa passou a atrair o interesse de grupos internacionais. Por isso, no ano 2000, a rede foi vendida ao grupo holandês Royal Ahold.

Essa decisão marcou o encerramento de um ciclo importante. No entanto, não representou o afastamento de João Carlos Paes Mendonça do mundo dos negócios. Pelo contrário, abriu espaço para uma nova fase estratégica.

Após a venda, o foco do empresário passou a ser a diversificação. Assim, nasceu a consolidação do Grupo JCPM como holding multissetorial.

Hiper bompreço José Carlos Paes Mendonça
Imagem: Hiper Bompreço

O Grupo JCPM e a mudança de eixo estratégico

Com o Grupo JCPM, Paes Mendonça direcionou investimentos principalmente para shopping centers e empreendimentos imobiliários. Dessa vez, o foco não estava apenas no consumo básico, mas na experiência do consumidor.

Atualmente, o grupo controla e participa de diversos shoppings no Nordeste. Entre eles, destacam-se empreendimentos como RioMar Recife, RioMar Fortaleza e Salvador Shopping. Além disso, os shoppings funcionam como polos de desenvolvimento urbano e econômico.

Ao mesmo tempo, o grupo investiu no setor de comunicação. Dessa forma, ampliou sua influência regional e fortaleceu a presença institucional da marca.

Visão de longo prazo e modelo de gestão

Um dos traços mais consistentes da trajetória de João Carlos Paes Mendonça é a visão de longo prazo. Em vez de movimentos impulsivos, suas decisões sempre priorizaram sustentabilidade e controle.

No varejo supermercadista, ele apostou em inovação operacional. Já no setor de shoppings, o foco passou a ser planejamento urbano, mix de lojas e convivência social. Assim, os empreendimentos ganharam relevância além do aspecto comercial.

Essa lógica de gestão ajudou o grupo a atravessar diferentes momentos econômicos. Por consequência, consolidou-se como um dos mais respeitados do país em seu segmento.

Lições estratégicas para o varejo e gestão empresarial

A trajetória de João Carlos Paes Mendonça oferece aprendizados claros:

  • Primeiro, começar pelo operacional gera decisões mais realistas.
  • Além disso, inovar antes dos concorrentes cria vantagem competitiva.
  • Da mesma forma, diversificar com critério reduz riscos.
  • Por fim, pensar regionalmente pode gerar impacto nacional.

Essas lições continuam atuais para gestores do varejo e empreendedores em expansão.

Conclusão

Em síntese, o caminho percorrido por João Carlos Paes Mendonça ajuda a explicar a evolução do varejo brasileiro nas últimas décadas. Ele transformou um pequeno comércio familiar em uma rede supermercadista de grande porte e, posteriormente, em um grupo empresarial diversificado.

Por esse motivo, seu case permanece relevante. Ele demonstra que estratégia, disciplina e leitura de mercado são fatores decisivos para a construção de negócios duradouros.

Veja também: Casos do Varejo Delcir Sonda

Fonte: JR Notícias , SE governo do Estado , Brasil Journal e JC Imagem

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